À Kathleen,
namorada (quase noiva, futura esposa)

Confesso: Não estou muito inspirado hoje, mas agora você me atiçou e eu só vou sair daqui quando te disser alguma coisa relevante.

Na verdade, tardiamente, venho escrever essas mal-traçadas linhas para te felicitar pela passagem do seu aniversário.

Te felicitar pelo tempo de vida, afinal, muitos gostariam de chegar onde você chegou no dia 5. Quem sabe eu, num dia 5 seu chegue aos 35 meus?

Bom, brincadeiras à parte, penso que é o tipo de data que pede, de fato, um momento de reflexão. Penso que uma lista, como a do Montenegro seja uma síntese perfeita do que fazer em uma data como esta. Pensar que o que você é hoje significa um pequeno estar no grande gerúndio  que é essa metamorfose chamada vida.

E eu que detesto gerúndios por serem indefinidos, sou obrigado a reconhecer que a vida não passa disso, uma grande e eterna metamorfose e nós, as criaturas a quem os deuses destinaram esse fado.

Bom, sem muito que dizer, te lembro de que essa é uma data que exige respeito, tal qual uma devoção. Uma vela que se apaga é um sol que se põe, disse Bachelard. E se por um lado, ver o pôr-do-sol é lindo, também é triste, porque seguindo-o vem a noite.

O sopro que apaga uma vela é o sopro que apaga uma vida.

Não pense que isso é pessimismo, mas um singelo convite ao Carpe Diem.

Aproveitar o dia é aproveitar a doce companhia dos amigos, da família – postiça ou não – e curtir em nós a chama da alegria e da esperança, como diria o meu velho amigo Rubem.

Chegará um dia em que não teremos mais essa chama, e a vida vai perder o sentido. Chegará a noite e o vento soprará o pavio de nossa vela.

Portanto, ao invés de somente apagar uma vela, acenda uma e deixe-a fincada  no bolo, para que ela permaneça lá como um memorial à vida, à alegria, à esperança, aos amigos e amores que te cercam.

Eu já decidi. É isso que eu vou fazer daqui pra frente. Desde que entendi o sentido da coisa – o que não faz muito tempo – minhas festas de aniversário passaram a ser todos os dias, porque cada noite em que durmo, é um dia a menos de minha vida, uma metáfora do sono que um dia me virá adormecer.

Cada dia que nasce, uma vela se acende; cada dia que morre, ao sol ou ao sono,  uma vela que se apaga.

E sobre velas que se apagam, me junto em coro ao Rubem: “Somos humanos e permanecemos humanos enquanto estiver acesa em nós a chama da esperança e da alegria […] “Peço aos deuses que me levem quando a chama da esperança e da alegria se apagar!”.

Que o Eterno, Misterioso Deus dos deuses, Abscôndito e Revelato, venha a te acrescentar dias de felicidade simples, alegria constante e Esperança eterna.

Com amor, apreço e gratidão por mais um ano de vida seu, subscrevo-me.

Recife, Agosto de 2011.

 

Sinceramente seu,

Jônatas Souza de Abreu

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